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Garoto de 12 anos viraliza nas redes ao interpretar idoso e resgatar gírias do interior de SP
Morador de Piratininga, Lucas Vigela criou o personagem Seu Juarez, um ex-ferroviário de 78 anos inspirado em histórias da família e no convívio com os avós
Por Felipe Augusto
Publicado em 01/10/2026 10:42
Região

Um adolescente de 12 anos, morador de Piratininga (SP), encontrou no humor uma maneira de resgatar expressões antigas, histórias familiares e aproximar diferentes gerações. Lucas Vigela Martins ficou conhecido nas redes sociais ao interpretar o personagem Seu Juarez, um ex-ferroviário de 78 anos que fala com sotaque caipira e utiliza gírias e expressões populares do interior paulista.

Entre as palavras usadas pelo personagem está “paúra”, termo associado a medo ou pavor e que ganhou espaço no vocabulário caipira do interior de São Paulo.

A história de Lucas ganhou ainda mais destaque nesta quarta-feira (1º), Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, data voltada à conscientização sobre o envelhecimento e à valorização dos direitos da população idosa.

Segundo o adolescente, a ideia nunca foi ridicularizar os idosos, mas utilizar o humor para valorizar costumes e aproximar as gerações.

“Eu acho que o personagem pode ser uma forma de deixar a terceira idade mais engraçada, trazendo humor e inspiração, mas nunca zoando. Trazer o lado engraçado é algo legal que pode ajudar as gerações mais novas a terem respeito, até porque ficar velho é algo que vai acontecer na vida de todo mundo”, afirma Lucas.

Personagem nasceu dentro da família

A criação de Seu Juarez começou há cerca de um ano. Lucas conta que, desde pequeno, gostava de engrossar a voz para assustar a irmã. O pai percebeu que o filho conseguia reproduzir características da fala de pessoas mais velhas e os dois começaram a desenvolver o personagem.

Inicialmente, as apresentações aconteciam apenas durante reuniões familiares.

O personagem recebeu o nome de Seu Juarez depois que Lucas e o pai procuraram um nome considerado tradicional. A partir daí, eles reuniram diferentes características de pessoas idosas para construir o personagem.

“Não existe nenhum Seu Juarez real. É um personagem em que eu e meu pai juntamos várias características para formar do jeito mais engraçado”, explica o adolescente.

O personagem tem hábitos e histórias fictícias, como problemas de saúde comuns entre pessoas mais velhas, reclamações com familiares e o gosto por dormir.

Apesar de fictício, o universo de Seu Juarez é inspirado em pessoas próximas a Lucas. Personagens como Márcia, Vartim, Magali, Robertinho e Martinho fazem referência a familiares.

“A Márcia é minha tia-avó, que sempre esteve comigo desde que eu tinha 1 ano de idade. O Vartim é o pai da minha tia. A Magali é minha avó que mora em Bauru, onde gravo a maioria dos vídeos. O Robertinho é meu avô aqui de Piratininga. E o Martinho remete ao nosso sobrenome, Martins”, conta.

Histórias do bisavô ajudaram a formar o personagem

Outro elemento presente nos vídeos é a história das ferrovias. Lucas fala sobre a antiga Fepasa, além de linhas ferroviárias que marcaram a história do interior paulista.

O conhecimento veio principalmente das histórias contadas pelo bisavô do adolescente, que trabalhou como maquinista de trem.

“Eu já conhecia a Fepasa antes do Seu Juarez porque meu bisavô falava muito de trem. Ele dizia que a Fepasa era a linha mais top da região. Meu pai sugeriu colocar isso na apresentação. Hoje sei o nome de várias linhas da época por causa das histórias dele”, relata.

Vídeo ultrapassa 16 milhões de visualizações

A popularidade do personagem começou a crescer depois de uma apresentação realizada em 1º de maio deste ano, durante um show do humorista Serginho Lacerda, em Bauru (SP).

Foi a primeira vez que Lucas apresentou Seu Juarez fora do ambiente familiar. O roteiro e as piadas foram preparados pelo adolescente em parceria com o pai.

“Deu muito nervosismo e também um pouquinho de vergonha, mas eu sabia que ia ser engraçado. Eu já estava com um pouquinho de confiança pensando que podia dar certo, que ia ser legal e que só ia me trazer coisas boas”, lembra.

A apresentação foi publicada cerca de dois meses depois no perfil do humorista. Um colega de escola avisou Lucas sobre a publicação.

Segundo o adolescente, o vídeo já tinha alcançado cerca de 2 milhões de visualizações quando a família decidiu criar um perfil próprio para o personagem.

“Um amigo me mandou e já estava com 2 milhões de visualizações. Meu pai mandou mensagem para o Serginho, criamos um perfil no Instagram e postamos em colaboração. Em duas horas já tinha milhares de seguidores e, em dois dias, bateu 50 mil”, conta.

Atualmente, o vídeo da apresentação ultrapassa 16 milhões de visualizações, enquanto o perfil de Lucas reúne mais de 200 mil seguidores.

Com a repercussão, o adolescente passou a receber convites para participar de programas de rádio e televisão.

Humor virou ponte entre avós e netos

Lucas afirma que a repercussão também mudou a maneira como os colegas passaram a enxergar as expressões utilizadas pelo personagem.

Na escola e no basquete, amigos começaram a perguntar o significado de palavras antigas e alguns passaram a conversar com os próprios avós para conhecer histórias do passado.

“Na escola, os meus colegas vêm perguntar sobre os termos que uso, como ‘paúra’. Alguns até disseram que foram perguntar aos avós sobre como era andar de trem antigamente. Acho que isso melhora a relação entre avós e netos e traz mais conhecimento sobre a terceira idade”, afirma.

Apesar da popularidade, Lucas mantém uma rotina dividida entre os estudos, o basquete e a produção dos vídeos.

O adolescente joga nas categorias de base do Bauru Basquete e também atua pelo Luso, enquanto continua produzindo os conteúdos de Seu Juarez.

O sucesso nas redes, segundo ele, não mudou o principal objetivo: continuar estudando e buscar no futuro a carreira de jogador profissional de basquete.

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