Instituição, criada em 1976, ampliou atuação e hoje reúne serviços de reabilitação, saúde, inclusão profissional e assistência a pessoas com deficiência
Uma história de recomeço representa os 50 anos de atuação da Sorri em Bauru, no interior de São Paulo. Vitória Cândido chegou à instituição como paciente, enquanto se recuperava das sequelas de uma tentativa de feminicídio. Atualmente, um ano depois, ela trabalha na lanchonete da própria Sorri.
A instituição completou cinco décadas de fundação no dia 25 de setembro. Criada inicialmente para atuar na reabilitação de pessoas com deficiência, a Sorri ampliou suas atividades ao longo dos anos e passou a atuar também em áreas como saúde, inclusão profissional e assistência social.
Durante o período em que foi atendida, Vitória realizava sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. Fragilizada física e emocionalmente, encontrou na instituição parte do suporte necessário para retomar a rotina.
Depois de concluir a etapa de reabilitação, ela foi contratada para trabalhar no local.
"Para mim é uma honra, porque eu estou trabalhando hoje com os profissionais que cuidaram de mim", afirmou Vitória.
Cinco décadas de atuação

A história da Sorri começou em 1976, quando Bauru tinha cerca de 155 mil habitantes. Atualmente, o município possui mais de 390 mil moradores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A criação da instituição esteve ligada ao trabalho do pesquisador norte-americano Thomas Frist, que chegou a Bauru aos 31 anos, a convite da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), para estudar o programa de combate à hanseníase.
A partir da percepção de que o tratamento precisava ir além do atendimento médico e também contribuir para a reintegração social dos pacientes, surgiu a Sorri.
"Tenho muito orgulho de ter fundado a Sorri, mas são as outras pessoas que melhoraram muito os serviços e a expandiram", afirmou Thomas Frist.
Dois anos após a fundação, a instituição estabeleceu uma parceria com a então Secretaria de Promoção Social, atualmente Secretaria Municipal de Assistência Social.
Em 1981, foi construída a sede própria da Sorri, em um terreno doado pela Prefeitura de Bauru e pela antiga Fundação Educacional de Bauru, hoje Unesp.
Tecnologia e reabilitação
Ao longo das décadas, a instituição ampliou os serviços oferecidos. Em 2007, foi inaugurada a Oficina Ortopédica, responsável pela produção de próteses, órteses e palmilhas personalizadas.
Atualmente, segundo a instituição, parte dos equipamentos é produzida com tecnologia 3D. O processo inclui o escaneamento do membro, utilização de software para elaboração do projeto e fabricação dos componentes.
De paciente a voluntário
Outra história ligada à Sorri é a de Agno Carlos, que frequenta a instituição desde 2005.
Inicialmente, ele procurou atendimento na Oficina Ortopédica por causa de uma má-formação congênita que afetava o pé direito. Depois de receber alta, voltou a ser atendido em 2020, após sofrer um acidente de trabalho que levou à amputação do pé.
Agno passou a utilizar uma prótese produzida na própria oficina e, após o período de adaptação, recuperou parte da autonomia.
Ele também relatou ter enfrentado um período de depressão após a amputação. Com o acompanhamento e a participação em atividades da instituição, afirma ter retomado a rotina e passou a atuar como voluntário.
"No começo, a fase de adaptação após a amputação foi um pouco difícil. Mas a partir do momento em que vim para a Sorri fazer fisioterapia, tive aquela alegria participando dos projetos socioculturais. A alegria voltou, a depressão foi embora", contou.
Segundo Agno, a experiência como paciente também contribui para o trabalho voluntário.
"Como voluntário, a gente observa outros usuários passando pelo mesmo processo que eu, um processo de recuperação e superação", afirmou.
Expansão dos serviços
Nos últimos anos, a Sorri também ampliou sua atuação na área da saúde. A instituição passou a administrar o primeiro Centro TEA do interior paulista e assumiu a gestão de Unidades de Saúde da Família (USF) em Bauru.
A entidade também projeta a implantação de uma "Cidade Sensorial", voltada à estimulação e ao desenvolvimento de pessoas no espectro autista.
Para o diretor-executivo da Sorri, Luis Fernando Maximino Bento, um dos principais desafios é preservar a missão da instituição durante o processo de expansão.
"O mais desafiador é as pessoas não perderem a essência da Sorri, a nossa missão. A Sorri olha muito para o lado humano", afirmou.
Segundo ele, o atendimento busca considerar os objetivos de vida de cada usuário e de sua família para definir as estratégias de acompanhamento.
Ao completar 50 anos, a Sorri reúne histórias de pessoas que passaram pela instituição como pacientes e, posteriormente, retornaram em outras funções, como funcionárias ou voluntárias.