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Professor do interior de SP é indicado a prêmio nacional por desenvolver projetos sociais com inteligência artificial
Por Felipe Augusto
Publicado em 21/09/2026 11:31
Região

 

Docente de Ourinhos e Palmital orienta estudantes na criação de ferramentas voltadas à adoção responsável de animais, acolhimento emocional e pesquisas científicas

O uso da inteligência artificial (IA) para desenvolver soluções destinadas a problemas reais da comunidade rendeu ao professor Isaque Katahira, de 43 anos, morador de Ourinhos (SP), uma indicação ao Prêmio Destaque Educação, na categoria IA e Inovação Educacional.

Promovida pela Educa Week, a premiação é considerada um dos principais reconhecimentos da educação básica na América Latina.

Isaque atua como professor na Escola Técnica Estadual (Etec) de Palmital e na Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Ourinhos. Segundo ele, a iniciativa de incorporar a inteligência artificial às atividades pedagógicas surgiu a partir do interesse dos próprios estudantes pela tecnologia.

A proposta passou a ser utilizar os conhecimentos adquiridos em sala de aula para criar ferramentas com impacto social.

“Se os alunos estão usando no dia a dia, por que não usar isso de forma direcionada para resolver problemas da sociedade? Ao invés de ser só uma coisa teórica, a gente busca auxiliar a pessoa que está do lado”, afirmou o professor.

Estudantes desenvolvem soluções para a comunidade

Entre os projetos desenvolvidos está o Meaudot, uma plataforma criada para aproximar organizações não governamentais (ONGs) e pessoas interessadas em adotar animais, facilitando o processo de adoção responsável.

O protótipo já foi apresentado em congressos e passou por testes. Atualmente, aguarda recursos para uma possível implementação prática.

Outra iniciativa é o HelpFull, desenvolvido a partir de discussões sobre saúde mental no ambiente escolar. A ferramenta utiliza inteligência artificial para oferecer acolhimento emocional inicial por meio de interações por texto ou voz.

O objetivo é incentivar o usuário a buscar ajuda junto a familiares e serviços especializados, como unidades de saúde e profissionais da área de psicologia.

O professor ressalta que a ferramenta não substitui o atendimento de psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais de saúde mental. O projeto ainda aguarda análise do Conselho de Ética em Pesquisa antes da realização de testes.

“A ideia é que o aplicativo ajude no sentido: converse, fale, não fique sozinho. Seria como uma ‘IA do bem’”, explicou Isaque.

Pesquisas científicas

Além dos projetos voltados à adoção animal e ao acolhimento emocional, os estudantes também desenvolvem uma pesquisa na fase de identificação de padrões genéticos de DNA e RNA para classificação do vírus da dengue.

De acordo com o professor, o grupo já reúne 19 publicações científicas. Para ele, o reconhecimento na premiação representa um incentivo à continuidade das pesquisas e ao protagonismo dos alunos.

“Nós deixamos eles trabalharem com a comunidade e pegarem problemas da própria realidade. Nós, professores, somos somente os comunicadores. Eles têm talentos muito bons, só fazemos a lapidação e a orientação”, declarou.

Os projetos estão em diferentes etapas, incluindo pesquisas iniciais, testes e busca por financiamento para aplicação em maior escala.

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