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Médico destaca impacto de palhaços na rotina de pacientes com câncer em hospital de Jaú: “Torna a vida mais leve”
Por Felipe Augusto
Publicado em 19/09/2026 14:07
Região

Um médico que atua na área da saúde em Jaú (SP) destacou a importância da humanização no atendimento hospitalar e contou como o trabalho de voluntários caracterizados de palhaços mudou sua forma de enxergar o cuidado com pacientes, especialmente aqueles em tratamento contra o câncer.

Alessandro Veiga, que possui formação em enfermagem, mestrado e doutorado e também concluiu o curso de medicina, participou da 12ª edição do Fórum da Alegria em Saúde, promovido pelo grupo de voluntários Remédicos do Riso, com apoio do Hospital Amaral Carvalho.

O contato com os voluntários ocorreu quando Alessandro ainda trabalhava como enfermeiro no Hospital Amaral Carvalho. Na época, ele foi convidado para ministrar um treinamento técnico sobre o funcionamento de bombas de infusão utilizadas por crianças internadas na pediatria oncológica.

Segundo o médico, a experiência foi marcante porque os voluntários conseguiram transformar um treinamento técnico em um momento mais descontraído, mesmo dentro de um ambiente hospitalar.

“Aprendi com eles a tornar a vida e o cuidado mais leves, mesmo dentro de um hospital oncológico”, relatou.

Alessandro conta que chegou ao primeiro encontro focado na parte técnica, mas acabou percebendo que havia outras formas de contribuir para tornar a rotina dos pacientes e profissionais menos pesada.

“O primeiro dia foi o momento mais marcante para mim. Cheguei lá sério, como enfermeiro focado no treinamento técnico, e encontrei um grupo muito descontraído. Eles conseguiram transformar a explicação sobre os equipamentos em algo leve e engraçado, tirando aquele peso do ambiente. Foi um aprendizado enorme”, relembrou.

A partir daquele momento, o profissional passou a acompanhar as atividades do Fórum da Alegria em Saúde. Neste ano, pela primeira vez, participou do evento como palestrante, com o tema “Uma vida de propósito”.

“Nas edições anteriores, eu sempre estive presente como participante, sentado, observando e aprendendo. Sempre tive o sonho de um dia estar do outro lado. Fiquei muito surpreso e feliz com o convite”, afirmou.

Evento reúne voluntários e profissionais da saúde

O Fórum da Alegria em Saúde chega à sua 12ª edição reunindo voluntários de diferentes regiões do estado de São Paulo envolvidos em projetos de humanização hospitalar.

O grupo Remédicos do Riso surgiu há cerca de 25 anos e atua no Hospital Amaral Carvalho e em outras instituições filantrópicas de Jaú e região.

A primeira edição do fórum reuniu aproximadamente 80 participantes. Atualmente, o encontro recebe cerca de 300 pessoas por edição, entre palhaços hospitalares, estudantes e profissionais de enfermagem, psicologia, medicina, fisioterapia e integrantes de grupos voluntários.

Segundo um dos organizadores, Rogério Fabre, a proposta é ampliar a discussão sobre empatia e humanização dentro e fora dos hospitais.

“Nossa objetivo é levar mais humanização, empatia, e proporcionar uma visão maior sobre a missão de cada um em sua própria vida e na vida das outras pessoas”, afirmou.

Humanização além da técnica

Com o tema “Sentir, sustentar e transformar”, a edição deste ano também aborda a relação entre propósito profissional e cuidado com o paciente.

Para Alessandro, a experiência acumulada durante a carreira reforçou a importância de enxergar o paciente para além da doença ou do procedimento médico.

Segundo ele, o trabalho dos voluntários mostrou que a técnica é apenas uma parte do atendimento e que atitudes simples também podem fazer diferença durante um período de tratamento.

“Na saúde, precisamos de profissionais que vão além da técnica; precisamos de humanidade. O cuidado está no olhar, na fala, na atenção e no gesto de estar ao lado, segurar a mão do paciente e dizer que estamos juntos nessa jornada”, afirmou.

O médico avalia que a presença dos palhaços voluntários ajuda a criar momentos de descontração em uma rotina marcada por consultas, procedimentos e períodos de internação, contribuindo para tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor.

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