Sete pessoas foram presas nesta quarta-feira (9) durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, que investiga suspeitas de fraude em uma licitação da Prefeitura de Bauru (SP) para a gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos.
Entre os presos estão dois secretários municipais. A operação, denominada “Cavalo de Troia”, também cumpriu mandados de busca e apreensão em prédios da administração municipal, incluindo a Secretaria de Meio Ambiente.
Segundo as investigações, o processo licitatório prevê uma contratação pelo período de 30 anos, com valor global estimado em R$ 5,259 bilhões, atualizado para valores de 2026. De acordo com o Gaeco, trata-se da maior contratação pública projetada na história de Bauru.
Foram presos:
- Vitor João de Freitas Costa, secretário de Negócios Jurídicos;
- Cilene Bordezan, secretária de Meio Ambiente;
- Sara Moura de Jesus, secretária adjunta de Meio Ambiente;
- Gisele Moretti, presidente da Associação dos Catadores de Reciclagem de Bauru (Ascam);
- Valdomiro Pereira da Silva Filho, empresário;
- Hamilton Libório Agle, proprietário da Estre Ambiental;
- Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da Estre Ambiental.
A Justiça também determinou o afastamento de Roldão Neto, que ocupava o cargo de coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente.
Suspeita de direcionamento
De acordo com o Gaeco, as investigações apontam que a suposta fraude teria ocorrido em diferentes etapas do processo de contratação, desde a elaboração dos estudos técnicos até a definição das exigências do edital e dos critérios de habilitação e pontuação.
O Ministério Público suspeita que agentes públicos, empresários, funcionários de empresa privada, consultores e intermediários tenham atuado de maneira coordenada para favorecer uma empresa interessada na licitação.
Ainda segundo as apurações, teriam ocorrido circulação reservada de documentos, interferências na elaboração de manifestações administrativas e estratégias para reduzir a concorrência no procedimento.
O nome “Cavalo de Troia” faz referência, segundo o Gaeco, à suspeita de que uma integrante da administração municipal mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa que seria beneficiada pelo processo.
A investigação também identificou outra profissional que havia trabalhado anteriormente para a empresa investigada e que passou a atuar na estrutura da secretaria.
Outras suspeitas investigadas
O Gaeco também apura supostos pagamentos e vantagens indevidas, além de tentativas de obter informações privilegiadas dentro de instituições públicas.
Segundo a investigação, os envolvidos teriam levantado informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que estaria relacionado à análise de um procedimento envolvendo o município.
Mensagens interceptadas durante as apurações indicariam planos de aproximação e possível infiltração de pessoas em instituições públicas para obtenção de informações e eventual oferecimento de vantagens indevidas.
A operação também reúne diligências relacionadas à chamada Operação Mobius, que investiga possíveis irregularidades no contrato de coleta seletiva de Bauru.
Os investigadores apuram possíveis crimes de fraude ao caráter competitivo de licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.
Prefeitura diz que vai colaborar
Em nota, a Prefeitura de Bauru confirmou a realização da operação em prédios da administração municipal e afirmou que respeita a atuação do Ministério Público.
A administração informou que pretende colaborar integralmente com as autoridades e fornecer documentos e informações solicitados durante a investigação.
A Prefeitura também declarou que, até o momento, não havia sido oficialmente informada sobre o inteiro teor da investigação nem tinha acesso aos elementos que fundamentaram as diligências realizadas nesta quarta-feira.
O município afirmou ainda que pretende aguardar o conhecimento formal dos fatos e dos documentos antes de se manifestar sobre pontos específicos do caso.
A defesa dos investigados é procurada para comentar as acusações.