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Gaeco realiza operação para investigar suspeita de fraude em licitação de R$ 5,2 bilhões em Bauru
Por Felipe Augusto
Publicado em 09/09/2026 10:48 • Atualizado 09/09/2026 10:50
Região

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, realizou na manhã desta quarta-feira (9) uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão em secretarias municipais de Bauru (SP).

Batizada de Operação Cavalo de Troia, a ação investiga suspeitas de fraude no processo de licitação para a concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos do município. O contrato, com previsão de duração de 30 anos, tem valor global estimado em R$ 5,259 bilhões, atualizado para valores de fevereiro de 2026.

A movimentação das equipes foi registrada principalmente na sede da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, localizada na Rua Wenceslau Braz. O prédio também abriga outras repartições públicas. Segundo as informações divulgadas, servidores foram dispensados durante a manhã.

Quatro pessoas foram detidas para prestar esclarecimentos durante a operação, segundo informações divulgadas pela TV TEM. Entre elas estão o secretário de Negócios Jurídicos, Vitor João de Freitas Costa; a secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan; a secretária adjunta de Meio Ambiente, Sara Moura de Jesus; e o coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente, Roldão Neto.

A operação também reúne diligências relacionadas à Operação Mobius, que apura possíveis irregularidades em um contrato de coleta seletiva.

Investigação aponta possível direcionamento de licitação

Segundo o Gaeco, o nome Cavalo de Troia faz referência à suspeita de que uma pessoa que atuava dentro da administração municipal mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa que seria beneficiada pelo processo de contratação.

De acordo com as investigações, essa posição teria permitido a influência de interesses privados na elaboração e condução do procedimento licitatório.

Os investigadores também identificaram outra profissional que atuava na estrutura da secretaria e que teria tido vínculo anterior com a empresa investigada.

A apuração aponta que as suspeitas não estariam restritas a uma eventual cláusula restritiva no edital. O Gaeco investiga uma possível atuação coordenada desde a elaboração dos estudos técnicos e definição das exigências de habilitação até a preparação de documentos administrativos e estratégias diante de questionamentos e possíveis concorrentes.

Segundo o Ministério Público, o esquema teria envolvido agentes públicos, representantes de empresas privadas, consultores e intermediários.

Suspeita de pagamento de vantagens

As investigações também apontam indícios de circulação reservada de documentos, interferências em manifestações administrativas e possíveis pagamentos ou vantagens destinados a favorecer a empresa investigada.

O Gaeco afirma ainda ter identificado tentativas de aproximação e possível cooptação de agentes públicos, além de estratégias para obter informações privilegiadas e dificultar mecanismos de controle.

Durante a investigação, também foram levantadas informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que estaria relacionado à relatoria de um procedimento envolvendo o caso.

Segundo o Ministério Público, mensagens interceptadas teriam revelado planos de aproximação e infiltração de pessoas em instituições públicas para obtenção de informações e possível oferta de vantagens indevidas.

As apurações também indicam que suspeitas semelhantes poderiam envolver projetos de outros municípios, inclusive contratos de valores elevados.

Entre os crimes investigados estão fraude ao caráter competitivo de licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.

Prefeitura diz que vai colaborar com as investigações

Em nota, a Prefeitura de Bauru informou que respeita a atuação do Ministério Público e que irá colaborar integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação.

A administração municipal afirmou que permanece à disposição para fornecer documentos, informações e esclarecimentos solicitados.

Segundo a prefeitura, até o momento não houve comunicação oficial sobre o inteiro teor da investigação nem acesso aos elementos que fundamentaram as diligências realizadas nesta quarta-feira.

A administração informou ainda que pretende aguardar o conhecimento formal dos fatos e dos documentos relacionados ao caso antes de se manifestar sobre questões específicas.

A Prefeitura de Bauru reafirmou o compromisso com a legalidade, a transparência e o interesse público e declarou que prestará o apoio necessário para o esclarecimento dos fatos.

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