A Justiça negou o pedido de liberdade provisória para Larissa de Souza Rodrigues, acusada de tentar matar o namorado, Adenilson Ferreira Parente, utilizando um copo de açaí que teria sido envenenado com chumbinho.
A decisão foi publicada na tarde desta quinta-feira (3) pela juíza Carolina Moreira Gama, da 1ª Vara do Júri e das Execuções Criminais de Ribeirão Preto. O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A audiência ocorreu nos dias 1º de setembro, de forma híbrida. Larissa participou por videoconferência diretamente da Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, onde está presa desde 15 de abril. Ao menos dez testemunhas foram ouvidas durante a sessão, entre elas o delegado Fernando Bravo, responsável pelas investigações.
Durante a audiência, a advogada Jéssica Nozé, que representa Larissa, solicitou a liberdade provisória da acusada. O promotor Eliseu José Berardo Gonçalves não apresentou oposição ao pedido. Mesmo assim, a magistrada decidiu manter a prisão preventiva.
Entre os argumentos utilizados pela juíza estão as consequências provocadas pelo episódio no estabelecimento onde o açaí foi comercializado, além da fuga de Larissa após a expedição do mandado de prisão e do uso de dados pessoais de outra pessoa para se hospedar em um hotel.

Segundo a decisão, mais de 80 copos de açaí foram vendidos no dia do ocorrido. A situação teria provocado preocupação entre consumidores, que temeram ter ingerido um produto contaminado.
A magistrada também destacou os impactos sobre o comércio. Conforme consta na decisão, o estabelecimento teria registrado queda no faturamento, recebido ataques nas redes sociais, fechado cinco unidades em um período de 30 dias e dispensado cerca de 20 funcionários.
Outro fator considerado foi a fuga. De acordo com a decisão, após a expedição do mandado de prisão, em 13 de abril, policiais encontraram o imóvel onde Larissa estava com sinais de uma saída às pressas. Ela foi localizada dois dias depois em um hotel de Ribeirão Preto.
Ainda segundo a Justiça, Larissa teria utilizado o nome, a data de nascimento e o CPF de outra pessoa para realizar a hospedagem.
A juíza também mencionou que o conteúdo do único celular que poderia contribuir para esclarecer a origem da substância havia sido apagado. No aparelho, entretanto, permaneceram registros de pesquisas sobre reportagens relacionadas ao caso, o que, segundo a magistrada, demonstraria que a acusada acompanhava a repercussão do episódio.
Para a Justiça, o conjunto desses elementos indica uma possível tentativa de dificultar a responsabilização criminal. A magistrada considerou que medidas alternativas à prisão não seriam suficientes neste momento.
A decisão também levou em consideração a possibilidade de uma pena elevada em caso de eventual condenação por homicídio qualificado.
Com isso, o pedido de liberdade provisória foi negado e a prisão preventiva de Larissa foi mantida.
O Ministério Público terá cinco dias para apresentar suas considerações finais por escrito. Depois disso, a defesa terá o mesmo prazo para apresentar as alegações finais.
Em nota, a advogada Jéssica Nozé informou que irá pedir a absolvição e a impronúncia de Larissa.
Larissa permanece presa enquanto o processo segue na Justiça.
Por Adalberto Luque – Tribuna Ribeirão
Fotos: Reprodução/Alfredo Risk