A reportagem esteve pessoalmente no Cemitério do distrito de Aparecida de São Manuel e o cenário encontrado no local é desolador. O espaço de memória e homenagem aos mortos foi alvo de um ataque violento na noite da última quinta-feira, deixando um rastro de destruição com imagens impactantes que revoltaram a comunidade.
Criminosos arrombaram o cadeado do portão principal e reviraram dezenas de sepulturas. A dimensão do estrago indica uma ação coordenada: nada foi poupado. Nomes de entes queridos, símbolos religiosos, fotos, crucifixos e até a imagem da santa foram arrancados e vandalizados.

O sentimento entre os frequentadores é de profunda indignação. Uma moradora do distrito, de 54 anos, que reside próximo ao cemitério e tem o pai sepultado no local há mais de dez anos, conversou com a reportagem sem conter as lágrimas ao ver a sepultura da família violada:
"É uma dor que não dá para explicar. A gente vem aqui para orar, para trazer uma flor, e encontra uma barbárie dessa. Arrancaram a placa do meu pai, destruíram a foto dele. Não respeitam nem quem já descansou. É uma sensação de revolta imensa ver o cemitério largado desse jeito, totalmente vulnerável, sem segurança alguma para proteger a memória das nossas famílias."
"Eu tenho certeza de que esse pessoal não é daqui da nossa comunidade, porque quem mora em Aparecida conhece as famílias e respeita a memória de quem já partiu."
Testemunhas que acompanharam a movimentação no local afirmam ser impossível que apenas um ou dois indivíduos tenham causado tamanho dano em uma única noite. A principal suspeita é de que um bando numeroso tenha invadido o cemitério com o objetivo de furtar peças de bronze e vandalizar o patrimônio.
Nossa equipe registrou fotografias exclusivas de dezenas de jazigos completamente violados, mas a extensão da devastação é tão grande que não houve tempo ábil para registrar todas as sepulturas atingidas.

A Guarda Municipal, a Polícia Militar e representantes do serviço funerário Prever foram acionados logo pela manhã. Por enquanto, não há imagens de câmeras de segurança ou pistas concretas no entorno que possam levar à identificação dos autores ou à recuperação dos objetos furtados.
"Quem fez isso veio preparado, sabia o que estava fazendo e aproveitou que o cemitério fica vulnerável à noite para cometer esse absurdo sem medo de nada."

A polícia reforça que o foco desse tipo de crime é a revenda de metais em ferros-velhos da região. As forças de segurança e os moradores pedem a colaboração de todos: qualquer informação sobre movimentações suspeitas ou venda dessas peças pode ser denunciada anonimamente à Polícia Militar (190) ou à Guarda Municipal.