Aos 80 anos, João Carlos Melchiori, conhecido carinhosamente como Neno, conquistou um título que celebra uma trajetória marcada pelo carinho da família, cuidados e inclusão. Morador de São Manuel (SP), ele foi reconhecido pelo RankBrasil como o brasileiro mais longevo com síndrome de Down.
Nascido em 1946, Neno completou 80 anos no dia 30 de maio de 2026. A data foi celebrada com uma festa que reuniu familiares e amigos e proporcionou ao idoso um dos momentos que ele mais gosta: estar perto das pessoas, cumprimentar e abraçar os convidados.
Segundo a sobrinha, Rosane Melchiori, Neno ficou bastante animado com a comemoração.
“Ele teve uma ansiedade muito grande esperando pela festa. Quando chegou, estava muito feliz, cumprimentou todo mundo. Na hora do parabéns, ficou eufórico. Ele adora abraçar e cumprimentar”, contou Rosane.
Reconhecimento pelo recorde
A família procurou o RankBrasil depois de perceber que a idade de Neno chamava a atenção durante suas consultas e acompanhamentos. Para confirmar o reconhecimento, foram apresentados documentos e registros médicos analisados pela instituição.

Ao receber o troféu e o certificado, Neno se emocionou.
“Ele ficou contente com o troféu, emocionado e até chorou. Nós, da família, também ficamos felizes pela vida dele e por continuar com a gente”, relatou a sobrinha.
Para Rosane, a longevidade do tio também está relacionada ao ambiente familiar e aos cuidados que ele recebeu ao longo da vida.
Atualmente, Neno mora com a irmã, Hermínia, e conta com o acompanhamento de uma cuidadora. A família também relata que ele passou por um AVC isquêmico em setembro, mas apresentou recuperação e segue bem.
Uma vida cercada de cuidados
Desde a infância, Neno esteve próximo dos pais e das irmãs. Rosane reconhece que o cuidado da família foi fundamental, mas também avalia que a proteção acabou limitando algumas oportunidades de autonomia.
Neno não costuma sair sozinho e realiza atividades externas acompanhado por familiares. Ele também não aprendeu a escrever ou utilizar o transporte coletivo sem acompanhamento.
Segundo Rosane, a realidade da época em que Neno nasceu era marcada por menos informação sobre a síndrome de Down e por muito preconceito.
“Também havia muito preconceito e diversas famílias escondiam as pessoas com síndrome de Down. Não foi o caso dele, que sempre esteve junto das irmãs e conviveu em sociedade”, explicou.
Para a família, a chegada aos 80 anos representa não apenas uma marca de longevidade, mas também uma história construída com convivência, afeto e participação na comunidade.
Afeto e inclusão

A trajetória de Neno também se tornou, para a família, um exemplo da importância do acolhimento e da inclusão de pessoas com síndrome de Down.
Rosane afirma que, apesar dos avanços, ainda existem situações de preconceito e defende que a sociedade amplie as oportunidades de convivência e autonomia.
“O preconceito ainda existe, as pessoas ainda olham diferente, mas precisamos acabar com isso. A sociedade precisa colaborar com essa inclusão”, afirmou.
Aos 80 anos, Neno celebra uma vida marcada pela presença da família, pelo carinho dos amigos e pelo reconhecimento de uma trajetória que ganhou destaque nacional.