No Dia dos Pais, histórias de famílias mostram como a solidariedade e o voluntariado podem ser ensinados dentro de casa e transformados em valores que passam de uma geração para outra.
Mais do que ensinar os filhos a andar de bicicleta, praticar esportes, estudar ou enfrentar os desafios da vida, muitos pais também procuram transmitir valores como empatia, generosidade e respeito ao próximo.
Em Bauru (SP), o psicólogo Fabiano dos Santos Menezes encontrou na própria garagem um espaço para reunir a família em torno da solidariedade. Ao lado da filha Helena, ele separa alimentos e organiza cestas básicas que são destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade.
Para Helena, participar das ações ao lado do pai é uma forma de aprender, na prática, a importância de ajudar outras pessoas.
Fabiano participa de diferentes projetos sociais em Bauru e também enfrenta um tratamento contra o câncer. Segundo ele, a experiência reforçou ainda mais seu compromisso com as ações voluntárias.
"Na verdade, aumentou esse engajamento. A partir do momento que a gente se encontra no limiar de vida e morte, começamos a refletir bastante. Nós somos um grupo praticamente em família e o que fazemos é essa entrega para o próximo e temos isso como compromisso", afirmou.
Uma das famílias beneficiadas pelas cestas foi a de Rosângela de Fátima Zanino, que está desempregada e cuida de duas filhas, uma delas com Síndrome de Down.
"Sou só eu e as duas crianças. Os alimentos delas são muito importantes e, hoje em dia, é raro vermos quem faz isso", contou Rosângela.
Pai e filho unidos pelo voluntariado
Ainda em Bauru, a solidariedade também aproxima gerações no Centro de Valorização da Criança (CEVAC). Entre os voluntários estão o pesquisador Sebastião Gândara Vieira e o filho, o advogado André Issa Gândara Vieira.
Segundo Sebastião, os filhos cresceram acompanhando o trabalho desenvolvido pela família e, com o passar dos anos, também passaram a contribuir com a entidade.
"Os filhos sempre conviveram com todo esse nosso trabalho e, sempre que possível, eles participam, apoiam. E agora, depois de adultos e profissionais, dentro das possibilidades, eles atendem também a entidade", explicou.
André afirma que aprendeu com o pai que a solidariedade pode ser praticada de diferentes maneiras, seja por meio de doações financeiras, trabalho voluntário ou simplesmente oferecendo tempo para quem precisa.

"Seja em movimentos religiosos ou não, é importante sempre ajudar o próximo de alguma forma, seja com recurso material ou tempo. O importante é estar à disposição do próximo", disse.
Filhos também inspiram os pais
Em algumas famílias, porém, o caminho também pode acontecer no sentido contrário: os filhos acabam inspirando os pais a participar de ações solidárias.
É o caso da cabeleireira Joana dos Santos Oliveira Barros, que participa de iniciativas sociais desde a infância. Já adulta, ela levou o pai, José Francisco Sertori, e a própria filha para conhecer uma escola infantil mantida por meio de doações.
Joana conta que a experiência despertou no pai o desejo de contribuir com as ações.
"Fomos plantando a sementinha nele. E, quando você entrega um sanduíche com refrigerante e sobremesa para um morador de rua e recebe um 'Deus te abençoe', aquilo conquista qualquer pessoa", relatou.
Sertori diz que se sente realizado com o trabalho voluntário e destaca a importância de transmitir esse exemplo para as novas gerações.
"Estou totalmente realizado, com muita gratidão, e estamos passando isso para a minha neta", afirmou.
Conhecimento também pode ser uma forma de solidariedade
Em Presidente Prudente (SP), a família Oliveira Arruda encontrou na educação outra maneira de ajudar.
O professor Cláudio Oliveira Arruda abriu as portas da sala de aula para auxiliar jovens que sonham com uma vaga na universidade. Os filhos Letícia e Pedro cresceram acompanhando o trabalho do pai e aprenderam que compartilhar conhecimento também é uma forma de contribuir com a comunidade.
Letícia seguiu o caminho do pai, cursou matemática e atualmente também dedica parte do tempo ao projeto.
Para Cláudio, ver os filhos seguindo o mesmo propósito é motivo de orgulho.
"É um sentimento maravilhoso perceber que você teve influência naquilo que seu filho está fazendo hoje, uma influência boa. Percebemos que a juventude é focada em coisas que não têm nada a ver com o que pensamos e eles pensam no bem comum da comunidade, que é o mais importante", destacou.
No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), histórias como essas mostram que os ensinamentos transmitidos dentro de casa podem ultrapassar gerações. Mais do que palavras, atitudes de solidariedade podem se transformar em exemplos capazes de inspirar filhos, netos e toda a comunidade.