Ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar humanitária, está proibido pela Justiça de divulgar manifestos políticos; PT estuda acionar a Justiça Eleitoral.
Um vídeo gerado por inteligência artificial simulando a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro foi exibido neste sábado (25) durante a convenção do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo. O evento oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Na gravação, a representação digital do ex-presidente declara explicitamente que o material foi criado por meio de ferramentas de IA e pede o apoio dos correligionários ao filho na disputa eleitoral.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária desde novembro de 2025, após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por participação em uma tentativa de golpe de Estado. Por determinação judicial, ele está proibido de divulgar manifestos de teor político-eleitoral, inclusive por intermédio de terceiros.
A exibição do conteúdo em um ato oficial da legenda abriu questionamentos sobre o cumprimento das restrições impostas pela Justiça. Para o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da pré-campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, o recurso foi utilizado como uma tentativa de contornar a ordem judicial.
"A exibição do vídeo teria sido uma forma de driblar essas restrições [judiciais]", afirmou o jurista.
Presenças no evento e reação jurídica
A convenção do PL reuniu lideranças políticas da direita nacional e internacional. Estiveram presentes no ato:
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Javier Milei, presidente da Argentina;
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Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo;
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Ricardo Nunes, prefeito da capital paulista.
O Partido dos Trabalhadores (PT) avalia recorrer à Justiça Eleitoral para pedir a apuração da exibição da gravação. O episódio reacende e aprofunda as discussões sobre a regulamentação e os limites éticos e jurídicos do uso de inteligência artificial em campanhas e eventos políticos no Brasil.