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Doador e receptor de medula óssea criam amizade após transplante e se tornam 'gêmeos genéticos'
Por Felipe Augusto
Publicado em 22/07/2026 10:20
Região

 

 

Um gesto de solidariedade transformou a vida de duas pessoas e deu origem a uma amizade que ultrapassou os limites da medicina. O doador de medula óssea Tharsis Paiva e o receptor Neylor Chagas, que antes eram completos desconhecidos, hoje compartilham viagens, encontros em família e se consideram "gêmeos genéticos".A história começou em 2023, quando Neylor foi diagnosticado com leucemia mieloide aguda, um tipo agressivo de câncer que compromete a medula óssea e o sangue. Após enfrentar internações, exames e tratamentos intensivos, ele recebeu a notícia de que precisaria de um transplante de medula óssea para aumentar as chances de cura.

A esperança veio por meio do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), referência nacional em oncologia e o maior centro transplantador de medula óssea do Brasil. Foi na unidade que a medula doada por Tharsis foi captada e encaminhada para o transplante, realizado em 30 de junho de 2023, em Belo Horizonte (MG).

Onze dias após o procedimento, os médicos confirmaram que a medula havia sido aceita pelo organismo de Neylor, marcando o início de uma nova etapa em sua recuperação.

"Na última internação, foram mais de 40 dias. Você vê a vida acontecendo lá fora, mas está parado. Com o transplante, a gente ganha uma outra chance e passa a dar mais valor à vida", relembra Neylor.

Pelas normas do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), doador e receptor permanecem em anonimato durante um ano e meio após o transplante. Somente após esse período, e com a autorização de ambos, é permitido o contato.

Foto: HAC/Reprodução

Assim que o prazo terminou, Neylor manifestou o desejo de conhecer a pessoa que havia lhe proporcionado uma nova oportunidade de viver. Do outro lado, Tharsis também queria conhecer quem havia recebido sua doação.

O primeiro encontro deu início a uma amizade que rapidamente envolveu também as famílias. Tharsis chegou a se hospedar na casa de Neylor, e os dois passaram a viajar juntos, incluindo um passeio para Ilhabela.

"Ele é uma pessoa diferenciada, bondosa. Quem faz isso tem uma generosidade enorme e dá valor ao ser humano", afirma Neylor.

Para Tharsis, a amizade foi um presente inesperado.

"Ter conhecido o Neylor foi um bônus. Um gêmeo genético de quem pude participar da vida. Ver que a recuperação dele foi um sucesso me dá muito orgulho da escolha de querer ser doador desde novo. Ganhei um irmão de sangue e sou muito feliz de fazer parte da vida dele", destaca.

Como se tornar doador de medula óssea

A história dos dois reforça a importância da doação de medula óssea. Atualmente, mais de 2,6 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil. Quando não há um doador compatível na família, a busca é feita por meio do Redome, que reúne voluntários cadastrados em todo o país.

Para integrar o cadastro, é necessário ter entre 18 e 35 anos e procurar um hemocentro ou hemonúcleo. Segundo Tharsis, o procedimento é simples e muito menos doloroso do que muitos imaginam.

"Posso dizer que o ato de se cadastrar para ser doador é simples e capaz de trazer um impacto enorme para quem está doente e para seus familiares. Muitos têm receio por achar que é doloroso, mas, no meu caso, foi um procedimento tranquilo e indolor", conclui.

 
 
 
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