Em entrevista à Rádio Clube de São Manuel, chefe do Executivo questionou a constante presença policial e a aplicação de penalidades que chegam a R$ 1 mil.
SÃO MANUEL — A intensidade das fiscalizações de trânsito no trevo de acesso a São Manuel tem gerado debate na cidade. Em entrevista concedida à Rádio Clube de São Manuel, o prefeito Odirlei Felix manifestou-se de forma contundente contra a permanência contínua das equipes policiais no local com o intuito de atingir metas de autuações.
"A população, é claro, tem que andar em ordem, dentro da lei. Se a lei exige cinto, você tem que usar. Se diz que não pode dirigir com celular, não pode. Mas o que não dá é para usarem aquele espaço para bater meta de multa", afirmou o prefeito.
Diálogo com autoridades
Diante das reclamações de motoristas, Odirlei Felix informou que está tomando providências para cobrar esclarecimentos sobre os procedimentos adotados no trecho. O chefe do Executivo informou que já obteve o contato do comandante regional da Polícia Rodoviária para agendar uma reunião.
Além disso, o prefeito pretende levar a situação diretamente ao Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Guilherme Derrite, durante a agenda do secretário na região. O objetivo é buscar respostas oficiais e sugerir um modelo de atuação que priorize o caráter educativo do trânsito.

Orientação versus punição
A defesa de que as operações no trevo assumam uma postura mais orientadora, especialmente em casos de pequenos deslizes, foi um dos pontos centrais abordados pelo prefeito.
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Casos graves: Ações contra abusos nítidos — como motocicletas com escapamento barulhento, manobras perigosas ("empinar") e veículos em alta velocidade — são consideradas necessárias e devem ser punidas.
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Foco educativo: Para falhas menores ou eventuais distrações de condutores trabalhadores, Odirlei Felix criticou a aplicação direta de penalidades pesadas, sugerindo a advertência e a orientação prévia.
O prefeito citou como exemplo o caso de um mototaxista local, descrito por ele como um cidadão trabalhador, que recebeu uma multa no valor de R$ 1.000. Segundo Felix, o impacto financeiro para profissionais que dependem de pequenas entregas torna a punição excessiva quando desprovida de uma abordagem educativa anterior.
Relatos de irregularidades em autuações
Outro fator de preocupação levantado pelo prefeito envolve queixas de motoristas que alegam ter sido multados mesmo estando em total conformidade com as regras de trânsito. Relatos trazidos ao conhecimento do político apontam situações em que condutores e passageiros utilizavam o cinto de segurança e, ainda assim, receberam a notificação de infrações por parte dos agentes.
A dificuldade de recorrer dessas penalidades foi classificada por Odirlei Felix como um problema grave, uma vez que o processo administrativo acaba se tornando uma disputa de versões ("a palavra do cidadão contra a do agente"), inviabilizando uma defesa efetiva na maioria dos casos. Novas informações sobre o desdobramento das reuniões com o comando da polícia e a Secretaria de Segurança Pública devem ser apresentadas nos próximos dias.