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Possível vazamento radioativo em instituto da USP é alvo de investigação federal
Por Felipe Augusto
Publicado em 11/06/2026 21:50
Região

 Foto: Roberto Fraga

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) está investigando uma denúncia sobre uma possível contaminação por material radioativo registrada no dia 29 de maio no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado na Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo.

O caso ganhou repercussão após o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) encaminharem pedidos formais de esclarecimento à direção do instituto e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), solicitando informações sobre a suposta ocorrência e as medidas adotadas.

Segundo a ANSN, a investigação teve início após o recebimento de uma denúncia anônima. O órgão informou que solicitou informações à instituição envolvida para verificar os fatos relatados e destacou que a apuração segue em andamento.

Em nota, a autoridade afirmou que todas as denúncias relacionadas a instalações radiativas são tratadas com seriedade e passam por análise técnica especializada. Até o momento, não foram divulgadas informações adicionais sobre o caso.

De acordo com relatos preliminares citados pelas entidades representativas dos trabalhadores, a situação teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica, incluindo a retenção de roupas utilizadas por servidores e terceirizados, além da atuação da equipe de Proteção Radiológica para controlar a ocorrência.

As entidades também demonstraram preocupação com a informação de que parte dos procedimentos teria sido realizada em locais não destinados especificamente para esse tipo de atendimento, o que levanta questionamentos sobre a infraestrutura disponível e o cumprimento dos protocolos de segurança exigidos para o manuseio de materiais radioativos.

No documento encaminhado às autoridades, Sindsef-SP e Assipen pedem transparência sobre o material envolvido, o número de trabalhadores potencialmente afetados, os níveis de contaminação detectados, os riscos à saúde e as medidas adotadas para contenção do incidente.

As entidades ainda relacionam o suposto episódio a dificuldades estruturais enfrentadas pelo instituto nos últimos anos, como cortes orçamentários, redução de pessoal e necessidade de investimentos em infraestrutura e concursos públicos. Também apontam atraso superior a um ano na realização de exames médicos específicos para servidores que atuam diretamente com materiais radioativos.

A Universidade de São Paulo (USP) informou que os questionamentos sobre o caso devem ser direcionados ao Ipen. Já a Polícia Militar Ambiental esclareceu que a autoridade competente para esse tipo de ocorrência é a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear.

 

Até a última atualização, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) ainda não haviam se manifestado oficialmente sobre o caso.

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