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Sobrevivente a 45 cirurgias, jovem que desafiou a medicina lança livro e se prepara para cursar direito no interior de SP
Nascido em Pontal (SP), Plauto Nogueira da Silva recebeu prognóstico de apenas um ano de vida devido a malformações e sequelas de poliomielite. Hoje, ele atua como palestrante e projeta carreira na advocacia para defender a comunidade PcD.
Por Moisés Moura
Publicado em 10/06/2026 17:16 • Atualizado 10/06/2026 17:27
Região

 

Nascido em Pontal (SP), Plauto Nogueira da Silva recebeu prognóstico de apenas um ano de vida devido a malformações e sequelas de poliomielite. Hoje, ele realiza palestras voluntárias para compartilhar sua história e projeta carreira na advocacia.

Uma história que desafiou os prognósticos mais pessimistas da medicina e se transformou em um símbolo de resiliência e engajamento social. Essa é a trajetória de Plauto Nogueira da Silva, morador de Pontal (SP), no interior de São Paulo. Após passar por 45 cirurgias, sobreviver a um coma e superar a perda trágica do pai, o jovem de 34 anos agora se prepara para um novo desafio: ingressar na faculdade de Direito para lutar pelos direitos das pessoas com deficiência (PcD).

"Os especialistas estimaram que eu sobreviveria apenas alguns meses, no máximo até completar um ano", relembra Plauto.

O diagnóstico e a infância nos hospitais

O desafio de Plauto começou logo no primeiro dia de vida. Ele nasceu com mielomeningocele (uma malformação congênita na medula espinhal), hidrocefalia e sequelas decorrentes da paralisia infantil. Diante do quadro grave, a sala de cirurgia tornou-se o primeiro ambiente que conheceu fora de casa.

A infância foi dividida entre a residência da família e os corredores de hospitais, especialmente a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-UE). Foram dezenas de procedimentos complexos, incluindo a colocação de uma válvula intracraniana e correções na coluna.

Em meio à rotina exaustiva de tratamentos, a família enfrentou um golpe severo em 1998, quando Plauto tinha apenas 6 anos: o pai dele morreu em um grave acidente de ônibus na Rodovia Plínio de Castro Prado. A partir dali, o apoio incondicional de sua mãe tornou-se a engrenagem principal para que ele continuasse os tratamentos em macas, ambulâncias e cadeiras de rodas.

O recorde de 45 cirurgias e o milagre do coma

Ao todo, o jovem foi submetido a 45 intervenções cirúrgicas ao longo da vida, cada uma acompanhada por longos e dolorosos períodos de reabilitação com fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos.

O teste definitivo de sua resistência aconteceu durante o tratamento de uma úlcera grave. Plauto ficou seis meses internado e entrou em estado de coma. Contra todas as expectativas da equipe médica, ele acordou e se recuperou sem sequelas adicionais.

Linha do tempo de superação:
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├── Nascimento: Diagnóstico de mielomeningocele, hidrocefalia e paralisia infantil
├── 6 anos: Perda do pai em acidente na Rodovia Plínio de Castro Prado
├── Ao longo da vida: 45 cirurgias e sobrevivência após 6 meses de internação e coma
├── 2018: Lançamento do livro "Trajetória de um Milagre"
└── Atualmente: Ações voluntárias e futuro estudante de Direito

Da literatura aos tribunais: o foco na inclusão

O desejo de registrar a própria história começou cedo, aos 8 anos de idade. Após concluir a educação básica com persistência, Plauto realizou o sonho de infância em 2018, quando lançou o livro "Trajetória de um Milagre". A obra reúne relatos detalhados de sua jornada médica, mensagens de apoio espiritual e lições para quem convive com dores crônicas.

Atualmente, Plauto dedica seu tempo exclusivamente a ações voluntárias, sem qualquer vínculo empregatício. Ele percorre escolas, conferências e instituições em todo o país de forma espontânea, atuando como palestrante com o único propósito de compartilhar sua história de vida e conscientizar a sociedade sobre a realidade PcD.

O próximo passo para ampliar esse impacto já está traçado: cursar Direito. O objetivo do futuro advogado é se especializar na área de acessibilidade e igualdade de oportunidades.

 

"Quero usar as leis para garantir de forma técnica a dignidade que a comunidade PcD merece", projeta Plauto, que continua a provar que os limites impostos pela medicina ficaram no passado.

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