Foto: TV TEM/Reprodução
BAURU, SP — De volta ao banco dos réus. Edna Aparecida de Souza Ribeiro enfrenta um novo júri popular nesta terça-feira (9), no Fórum de Bauru (SP). Condenada anteriormente a mais de 25 anos de prisão por envenenar a própria filha de 9 anos, ela teve o primeiro julgamento anulado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e agora responde ao processo em liberdade.
O crime, motivado por vingança contra o ex-marido, ocorreu em agosto de 2014 no bairro Parque Santa Edwirges e chocou a região.
O Motivo da Anulação do Primeiro Júri
Em abril de 2022, Edna foi condenada por lesão corporal qualificada por motivo torpe e extorsão mediante sequestro. Embora tenha cumprido parte da pena no presídio de Tremembé (SP), a defesa e o Ministério Público recorreram da decisão.
O TJ-SP optou por anular a sentença e determinar um novo julgamento. De acordo com os desembargadores, era necessária uma nova avaliação dos fatos devido à inclusão de:
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Laudos periciais complementares;
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Novas manifestações técnicas sobre o real potencial lesivo do veneno utilizado;
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Análises detalhadas das consequências físicas e psicológicas geradas na vítima.
Relembre o Crime e a Confissão
Na época do crime, Edna trancou-se em um dos cômodos da residência com a criança, preparou uma sopa e misturou veneno de rato ao alimento. Ambas ingeriram a refeição. Em vídeo gravado pela polícia logo após o flagrante, a acusada confessou o ato:
Polícia: O que tinha nesse prato? Edna: Tinha veneno para rato dentro do forno. Polícia: E o que você fez com o veneno? Edna: Coloquei na sopa. Polícia: E depois o que você fez? Mãe: Fervi a sopa e tomei e dei para ela (filha).
A filha relatou em depoimento que estranhou a cor excessivamente vermelha do prato, mas acreditou na mãe quando esta disse que o ingrediente secreto era beterraba.
Extorsão e Socorro
A investigação policial apontou que, após o envenenamento, a situação escalou. Edna ameaçou a filha com uma faca e impediu que o pai socorresse a menina. A acusada teria condicionado o socorro médico à transferência de um carro para o seu nome.
Após a chegada da polícia, mãe e filha foram levadas às pressas ao Pronto-Socorro Central de Bauru, onde passaram por lavagem estomacal. A criança ficou internada por quatro dias no Hospital Estadual de Bauru e sobreviveu.

Foto: Reprodução/TV TEM
Teses de Defesa
No primeiro julgamento, a defesa de Edna tentou emplacar a tese de que ela sofria de transtorno dissociativo, argumentando que a ré não tinha capacidade mental para compreender a gravidade e a ilicitude de suas ações no momento do crime. A alegação, contudo, foi rejeitada pelos jurados na ocasião.
O novo veredito desta terça-feira definirá o futuro de Edna Aparecida de Souza Ribeiro diante das novas provas técnicas apresentadas.