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Moradores protestam após risco de despejo de hotéis no Jaguaré; famílias cobram solução definitiva após explosão
Por Moisés Moura
Publicado em 23/05/2026 10:17
SÃO PAULO

 

Moradores atingidos pela explosão que destruiu casas no bairro Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, realizaram um protesto na noite desta sexta-feira (22) após serem informados sobre o encerramento do contrato de hospedagem em hotéis onde famílias desalojadas estavam acomodadas desde o acidente ocorrido no último dia 11 de maio.

Segundo a Polícia Militar, cerca de 60 pessoas participaram da manifestação na Avenida Presidente Altino. Durante o ato, manifestantes bloquearam a via e atearam fogo em objetos. Equipes da CET acompanharam a ocorrência e informaram que o trânsito foi normalizado por volta das 20h após o fim do protesto.

Os moradores afirmam que receberam a informação de que deveriam deixar os hotéis nesta sexta-feira, já que o contrato firmado entre a Sabesp e a Comgás não teria sido prorrogado. As famílias reclamam da falta de definição sobre auxílio-aluguel, moradia definitiva e possíveis reassentamentos.

A analista Caroline Rodrigues, uma das vítimas da explosão, explicou que os hotéis solicitaram a saída dos moradores após o término do contrato emergencial.

“Esse contrato foi encerrado e, provavelmente, não foi prorrogado. Então os hotéis pediram que os moradores saíssem justamente por isso”, afirmou.

A explosão aconteceu após uma obra da Sabesp atingir uma tubulação de gás da Comgás. O acidente deixou dois mortos, dezenas de imóveis danificados e provocou grande destruição na comunidade, descrita pelos moradores como um verdadeiro “cenário de guerra”.

Desde então, famílias afetadas passaram a viver em hotéis ou casas de parentes enquanto aguardam o resultado das investigações e uma solução habitacional definitiva.

Durante o protesto, moradores demonstraram preocupação com possíveis propostas de moradia oferecidas pelo governo. Segundo eles, muitas famílias desejam retornar às próprias casas e não aceitar apartamentos em outras regiões.

“O que nós queremos é uma resposta concreta. Cada hora é uma resposta diferente”, afirmou o morador Luciano Melo.

Outro ponto criticado foi o possível valor do auxílio-aluguel discutido com os moradores.

“Vieram oferecer R$ 800 de auxílio-aluguel. Um aluguel desse valor no Jaguaré não existe”, reclamou um dos atingidos.

O morador Edinaldo relatou ainda que chegou a ser transferido para um hotel em Osasco, mas, ao chegar ao local, descobriu que não havia nenhuma reserva em nome da família. Sem alternativa, retornou ao Jaguaré levando roupas resgatadas da explosão, os animais de estimação e o filho.

Após o protesto, representantes da Sabesp, do Ministério Público e da Polícia Militar iniciaram uma reunião com lideranças comunitárias. Segundo a líder Ana “Pantera”, houve a promessa de manutenção das hospedagens.

“Acabaram de prometer que pode voltar pro hotel, que ninguém vai ficar na rua”, disse.

Em nota, o Governo de São Paulo afirmou que as famílias continuarão hospedadas em hotéis custeados pelas concessionárias. O estado informou ainda que a CDHU oferece alternativas como apartamentos mobiliados, carta de crédito e auxílio-aluguel.

Segundo o governo, 31 famílias já visitaram imóveis oferecidos pela CDHU, sendo que 20 aceitaram as propostas e outras seis optaram pela carta de crédito habitacional.

Já a Sabesp informou que segue responsável pelas ações de assistência social, auxílio emergencial e recuperação dos imóveis atingidos, enquanto a Comgás permanece encarregada da hospedagem temporária das famílias desalojadas.

A companhia também afirmou que 779 famílias já receberam auxílio emergencial de R$ 5 mil e que cerca de 300 imóveis passaram por vistorias e serviços de recuperação.

 
 
 
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