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Policiais civis presos por extorsão teriam cobrado R$ 1 milhão de acusado no caso do sequestro da mãe de Robinho
Por Felipe Augusto
Publicado em 12/05/2026 13:49
BRASIL

 

 Foto: Olivier MORIN / AFP

Quatro policiais civis foram presos temporariamente nesta terça-feira (12) durante a Operação Quina, deflagrada pela Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo com apoio do Ministério Público. Os agentes são investigados por suspeita de extorsão contra um homem apontado como participante do sequestro de Marina da Silva Souza, mãe do ex-jogador Robinho, ocorrido em 2004.

Segundo a denúncia do Ministério Público, a vítima da suposta extorsão é Fabio Oliveira Silva, investigado por envolvimento no sequestro de Marina. De acordo com as investigações, policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Carapicuíba teriam exigido R$ 1 milhão para não forjar um flagrante de tráfico de drogas contra ele.

Os policiais presos são Roberto Castelano, conhecido como “Bateria”, Tiago Henrique de Souza Carvalho, o “Japa”, e Diogo Prieto Junior, todos lotados na DISE de Carapicuíba, além de João Ruper Rodrigues, do 1º Distrito Policial de Taboão da Serra. As prisões temporárias têm prazo de 30 dias.

Foto: Divulgação

Ainda conforme o MP, o caso aconteceu no dia 2 de abril, quando os agentes cumpriam um mandado de prisão contra o ex-genro de Fabio, na capital paulista. Após a ação, os policiais passaram a pressioná-lo para indicar locais onde haveria drogas. Mesmo sem constar oficialmente na ocorrência, ele foi levado até a sede da DISE de Carapicuíba.

Durante o trajeto, os agentes teriam feito a exigência de R$ 1 milhão para não incriminá-lo por tráfico de drogas. Para conseguir parte do valor, Fabio acionou um primo, que reuniu R$ 303 mil em dinheiro vivo. Segundo a investigação, a quantia foi entregue aos policiais após encontros em uma padaria de Barueri e posteriormente na própria delegacia especializada.

Após o pagamento parcial, Fabio foi liberado e teria assumido o compromisso de quitar o restante em parcelas. As negociações seguiram até que as vítimas procuraram a Corregedoria da Polícia Civil, em 22 de abril, para denunciar o caso.

Sequestro da mãe de Robinho

Marina da Silva Souza foi sequestrada em 6 de novembro de 2004, enquanto participava de um churrasco em uma residência na periferia de Praia Grande, no litoral paulista.

Ela permaneceu mais de um mês em poder dos criminosos e foi libertada em 12 de dezembro daquele ano, na região de Perus, na Zona Norte de São Paulo, após o pagamento de resgate. Na época, Marina entrou em contato com familiares e com a Polícia Militar logo após ser libertada. Apesar de estar desidratada e com os cabelos cortados, ela não apresentava ferimentos graves.

Operação Quina

A operação realizada nesta terça-feira cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão nas residências dos investigados e também nas delegacias onde atuavam.

Durante as ações, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que passarão por perícia. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 2 milhões em bens dos policiais investigados.

Em nota, a Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo afirmou que mantém “compromisso permanente com a legalidade, a ética, a transparência institucional e o combate rigoroso a quaisquer desvios de conduta funcional”.

 
 
 
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