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Mãe denuncia produtora por uso indevido da imagem do filho em documentário em Botucatu (SP)
Por Moisés Moura
Publicado em 30/04/2026 10:15
Região

Uma mãe de Botucatu registrou dois boletins de ocorrência contra a empresa Brasil Paralelo por suposto uso indevido da imagem de seu filho, de 9 anos, em um trailer do documentário “Pedagogia do Abandono”. O caso envolve a utilização de imagens da criança sem autorização e a possível manipulação de áudio.

O registro mais recente, de natureza não criminal, foi feito no dia 12 de abril com o objetivo de formalizar a denúncia. Até a última atualização, a produtora não havia se manifestado sobre o caso.

De acordo com a mãe, que preferiu não se identificar, os vídeos do filho foram retirados de suas redes sociais, onde ela costuma compartilhar momentos familiares. No entanto, ela afirma que o material foi utilizado fora de contexto no trailer do documentário, que aborda críticas à educação infantil e temas relacionados à chamada “ideologia de gênero”.

Embora o rosto do menino apareça borrado, a mãe denuncia que a voz foi alterada para simular uma fala que nunca foi dita pela criança. No trecho exibido, é inserida uma narração infantil com a frase: “A ‘prô’ disse que menino pode usar saia, pintar a unha e usar brinco”.

Segundo a mulher, o vídeo original foi gravado durante uma comemoração de carnaval, em um contexto recreativo e sem qualquer conotação ideológica. Ela acredita que seguidores conseguiram identificar o menino mesmo com o rosto oculto.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais, onde a mãe publicou um desabafo que já soma mais de 82 mil curtidas e milhares de comentários. Na publicação, ela acusa a produtora de distorcer o conteúdo original e associá-lo a discursos que considera ofensivos.

“Pegaram um vídeo da minha página, alteraram as falas para usar em um documentário com discurso de ódio, homofobia e transfobia”, afirmou.

A mãe também relatou dificuldades para registrar a ocorrência. Segundo ela, o primeiro boletim feito em Botucatu não foi classificado da forma que considerava adequada, sendo orientada a buscar a via cível. Posteriormente, realizou um novo registro em São Paulo.

Além disso, ela acionou o Ministério Público e entrou com um pedido de tutela de urgência na Justiça para tentar impedir o lançamento do documentário, que ocorreu no dia 20 de abril.

Em nota, a assessoria jurídica da família informou que já foram adotadas medidas judiciais e extrajudiciais pelo uso não autorizado da imagem do menor. Segundo os advogados, o caso configura possível violação aos direitos da personalidade da criança, atingindo sua imagem, honra e dignidade, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

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