A reportagem apurou que o problema afetou especificamente escolas estaduais de período integral; proprietário de padaria diz sofrer "linchamento" nas redes sociais.
SÃO MANUEL – O setor de educação e saúde de São Manuel segue em alerta após relatos de intoxicação alimentar envolvendo alunos da rede pública. Na tarde desta sexta-feira (24), a reportagem esteve na Secretaria de Educação e obteve novos detalhes sobre a origem do problema e as medidas tomadas para conter a distribuição dos alimentos impróprios.
FOTO MOISÉS MOURA
Investigação e o "fio de bolor"
Em entrevista à reportagem, a nutricionista do município, Ana Paula, detalhou a operação de emergência. Segundo ela, ao todo, 8 caixas de bolinho formigueiro foram recolhidas das unidades escolares. A reportagem teve acesso exclusivo a toda a mercadoria recolhida, que estava armazenada para análise e descarte.
Foto obtida com exclusividade mostra bolo formigueiro no setor da Secretaria de Educação, onde pelo menos 8 caixas foram recolhidas.
A interrupção do consumo ocorreu após a identificação de um fenômeno visual no produto: a presença de uma espécie de "linha esticando" ao partir o bolo. De acordo com especialistas, essa característica indica um estágio inicial de bolor (fungos) ou contaminação bacteriana, que altera a textura do miolo, tornando-o viscoso ou "filamentoso".
Riscos à saúde: A ingestão de alimentos com esse tipo de deterioração pode causar náuseas, vômitos, dores abdominais e diarreia severa, sintomas que coincidem com os relatos dos pais de alunos atendidos no Pronto-Socorro local.
Foco nas Escolas Estaduais
A reportagem apurou que a distribuição desse lote específico de bolinhos era destinada apenas às escolas estaduais de período integral. Unidades como a Escola Estadual J.S.E. Manuel Chaves e a escola do distrito de Aparecida foram as principais afetadas.
O outro lado: Fornecedor relata "linchamento"
A reportagem também conversou com o proprietário da padaria responsável pelo fornecimento dos bolinhos. O empresário, que preferiu não gravar entrevista, apresentou as seguintes justificativas:
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Troca de insumos: Alegou que houve uma mudança recente nos ingredientes utilizados na fabricação, o que pode ter impactado na qualidade do produto final.
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Recolhimento: Afirmou que, assim que detectado o problema, prontificou-se a recolher toda a mercadoria das escolas.
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Repercussão: O comerciante desabafou sobre a exposição do caso, afirmando estar sofrendo um "linchamento virtual" nas redes sociais.

Providências Jurídicas
O Secretário de Educação, Ailton Leite dos Santos, reiterou que o caso já está sob análise do setor jurídico da prefeitura. A administração municipal busca a responsabilização formal da empresa pelo ocorrido.
A Secretaria de Educação informou que o controle de qualidade dos itens fornecidos será intensificado e que segue monitorando o estado de saúde dos alunos atingidos. Uma nota oficial da Prefeitura de São Manuel deve ser emitida ainda hoje.