Defesa de Gabriel Domingues Macedo aponta que laudo do IML comprova múltiplas lesões; magistrada entendeu que ferimentos foram causados por "força necessária" para contenção.
A Justiça de Botucatu (SP) converteu em preventiva a prisão de Gabriel Domingues Macedo neste domingo (12), mas o caso ganhou um novo desdobramento fora dos autos. Testemunhas e familiares denunciam que o exame de corpo de delito do jovem teria sido realizado de forma irregular: sem que ele saísse de dentro da viatura da Guarda Civil Municipal (GCM).

De acordo com relatos colhidos pela reportagem, Gabriel não teria chegado a entrar nas dependências do hospital em São Manuel para ser devidamente avaliado. Fontes que presenciaram a movimentação afirmam que o atendimento médico ocorreu enquanto o jovem permanecia detido no interior do veículo oficial. O Hospital de São Manuel foi procurado para esclarecer os protocolos de atendimento, mas não enviou resposta até a publicação desta matéria.

Marcas de violência e negativa de investigação
O laudo do Instituto Médico Legal (IML), ao qual a reportagem teve acesso exclusivo, detalha a gravidade das lesões em Gabriel:
Em depoimento, Gabriel afirmou ter sido espancado por quatro agentes com socos e arremessado contra o chão. Ele garantiu ser capaz de identificar os autores das agressões.
Apesar das evidências e do pedido da Defensoria Pública, a juíza Cristina Escher indeferiu a abertura de investigação pela Corregedoria da GCM. Na decisão, a magistrada argumentou que as lesões seriam fruto da "própria contenda" e da força necessária para a contenção. A Justiça também negou um novo exame pericial, descartando a tese da defesa de que a presença policial durante o primeiro exame teria intimidado Gabriel.
Mobilização
Inconformados com a decisão, familiares de Gabriel buscam agora imagens das câmeras de segurança do hospital para provar que ele não recebeu atendimento médico adequado.
Paralelamente, amigos do jovem organizam uma manifestação no posto de combustíveis onde teria ocorrido a abordagem. A data do ato ainda será confirmada.
A defesa informou que deve recorrer da decisão que manteve a prisão e buscará instâncias superiores para apurar a conduta dos agentes envolvidos no caso de Gabriel.