O motorista do ônibus que tombou na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), entre Ocauçu e Marília (SP), e deixou sete mortos, morreu nesta sexta-feira (3) após quase dois meses internado. A informação foi confirmada pelo Hospital das Clínicas (HC) de Marília.
O acidente ocorreu no dia 16 de fevereiro e envolveu trabalhadores rurais que viajavam do Maranhão com destino a Santa Catarina. Além das vítimas fatais, outras 45 pessoas ficaram feridas após o veículo tombar no acostamento da rodovia.
O motorista, identificado como Claudemir Moraes Moura, estava internado sob escolta policial desde a data do acidente. Ele havia sido preso em flagrante por homicídio e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.
Segundo o hospital, um dos passageiros que ainda permanecia internado recebeu alta médica nesta semana.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente aconteceu após o estouro de um dos pneus do ônibus. As investigações apontaram que o veículo já trafegava em condições irregulares.
Conforme a delegada responsável pelo caso, Renata Yumi, o motorista teria retirado um dos pneus de um dos eixos após um problema ocorrido antes da entrada no estado de São Paulo e, mesmo assim, decidiu seguir viagem apenas com o outro pneu no mesmo eixo.
Para a polícia, essa decisão comprometeu a estabilidade do veículo e pode ter sido determinante para o tombamento.
Além disso, o ônibus apresentava diversas irregularidades, como pneus desgastados e falhas na iluminação. Passageiros relataram ainda a ausência de cintos de segurança.
A viagem também era irregular. Segundo a PRF, o veículo não possuía autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar fretamento interestadual.
Os trabalhadores haviam saído da região norte do Maranhão e percorreriam mais de 3 mil quilômetros até Santa Catarina, onde atuariam na colheita de maçãs.
A empresa responsável pelo transporte, com sede no Maranhão, é investigada e poderá ser responsabilizada pelas condições do veículo e pelas irregularidades constatadas, conforme informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP).
O caso segue sob investigação.