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30 anos sem os Mamonas Assassinas: banda de Jaú mantém vivo o legado do grupo
Por Moisés Moura
Publicado em 02/03/2026 08:25
Região

Mesmo sem ter vivido a febre que tomou conta do Brasil na metade dos anos 1990, uma banda cover de Jaú, no interior de São Paulo, mantém viva a irreverência e o talento dos Mamonas Assassinas, fenômeno que arrastou multidões e teve a trajetória interrompida de forma trágica em 1996.

Nesta segunda-feira (2), a morte dos integrantes completa 30 anos.

De festival estudantil aos palcos da região

Inspirada no grupo original, a banda jauense surgiu em 2015, após uma apresentação em um festival estudantil. O projeto foi liderado por João Gromboni, hoje com 30 anos. Ao lado dele estavam Fernando Messias e Luan Ragazzi nas guitarras, João Bueno na bateria e Fernando Bovi no contrabaixo.

A maioria dos integrantes sequer havia nascido ou ainda era criança quando os Mamonas explodiram no país. João, que nasceu em 1995, conheceu o grupo por influência do irmão mais velho.

“Ele viveu um pouco daquela época e sempre assistia às homenagens na televisão. Isso marcou a infância dele e acabou marcando a minha também”, contou.

A ideia do cover surgiu quase por acaso, durante audições promovidas por uma professora de música em Jaú. João começou a interpretar músicas como “Pelados em Santos” e “Robocop Gay” nos ensaios. A recepção foi tão positiva que o repertório entrou oficialmente nas apresentações.

O primeiro show da banda aconteceu no Teatro Municipal de Jaú, após a apresentação prevista ao ar livre ser transferida por causa da chuva. Mesmo sem casa lotada, o grupo decidiu seguir com o projeto, que virou tradição anual.

Hoje, os integrantes moram em cidades diferentes e não se apresentam com frequência, mas continuam se reunindo ao menos uma vez por ano — especialmente nas audições onde tudo começou.

“Puro suco do Brasil”

Para João, o sucesso dos Mamonas atravessa gerações porque vai além do humor.

“O que torna o trabalho deles atemporal é que eles são o puro suco do Brasil. Tinham talento musical evidente, misturavam ritmos e tinham um carisma absurdo no palco. Se tirar a piada, as músicas continuam muito bem produzidas”, afirma.

Ele cita como exemplo canções que misturam rock pesado, forró e sertanejo, reforçando a identidade brasileira que marcou o grupo.

A tragédia que marcou o país

O avião que transportava os Mamonas caiu em 2 de março de 1996, após um show em Brasília. A aeronave, que seguia para Guarulhos, colidiu contra a Serra da Cantareira, na Zona Norte da capital paulista.

Morreram os cinco integrantes da banda: Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli.

Três décadas depois, familiares anunciaram a criação de um memorial ecológico no Cemitério Primaveras, em Guarulhos. Para isso, os corpos foram exumados em 23 de fevereiro. Objetos encontrados sobre os caixões, como uma jaqueta de nylon colocada sobre o de Dinho e um ursinho de pelúcia sobre o de Bento, devem integrar o acervo do futuro memorial.

 

Mesmo após 30 anos, o legado do grupo permanece vivo — seja nas plataformas digitais, nas memórias de quem viveu o fenômeno nos anos 90 ou em bandas do interior paulista que seguem levando aos palcos a energia irreverente que marcou uma geração.

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