Ferraz de Vasconcelos (SP) — A Prefeitura e a Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos foram alvo, nesta quarta-feira (28), de uma operação do Ministério Público de São Paulo que investiga um suposto esquema de desvio de cerca de R$ 24 milhões por meio de acordos administrativos considerados irregulares. A apuração aponta para a possível utilização de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) como instrumento para suspender cobranças e encerrar ações judiciais, em prejuízo aos cofres públicos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em prédios do Executivo e do Legislativo municipal, além de outros endereços ligados aos investigados. Por decisão judicial, quatro agentes públicos foram afastados por 180 dias, enquanto a investigação segue em andamento.
Foram afastados:
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Ewerton de Lissa Souza (Podemos), vereador;
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Adriano Dias Campos, secretário de Administração;
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Pedro Paulo Teixeira Júnior, secretário da Fazenda;
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Moacyr Alves de Souza, coordenador da Secretaria do Meio Ambiente.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores dos envolvidos, como medida cautelar para garantir eventual ressarcimento ao erário.
FOTO -MPSP
Outro ângulo: o foco nos acordos
O eixo central da investigação não é um contrato específico, mas a forma como acordos foram celebrados dentro da administração pública. Segundo o MP, há indícios de que TACs teriam sido negociados para beneficiar interesses privados, com a interrupção de cobranças milionárias e o encerramento de processos, o que levanta suspeitas sobre uso indevido de instrumentos legais que, em tese, deveriam proteger o interesse público.
Prefeita não foi afastada
A prefeita Priscila Gambale (Podemos) não foi afastada do cargo. Em nota, a administração municipal informou que colabora com as investigações e reafirmou o compromisso com a legalidade e a transparência, destacando que as apurações ainda estão em fase inicial.
Investigação continua
A operação é conduzida por promotores especializados no combate à corrupção e a crimes contra a administração pública. O Ministério Público apura possíveis crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e dano ao erário. Novas diligências não estão descartadas.
Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório. O caso segue sob sigilo parcial enquanto as análises de documentos e materiais apreendidos são realizadas.