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Caso Dagmar: corpo de idosa encontrada em poço tinha lesão no crânio e pode ter sido morta antes de ser jogada no local, diz polícia
Por Moisés Moura
Publicado em 23/01/2026 10:15
Região

O corpo de Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, encontrado em um poço com cerca de 30 metros de profundidade em uma área rural de Bauru (SP), apresentava uma lesão no crânio, indicando que a idosa pode ter sido assassinada antes de ser jogada no local, segundo a Polícia Civil.

A constatação reforça a versão apresentada pelo casal de caseiros suspeito de envolvimento no crime, que está preso. De acordo com a investigação, os suspeitos confessaram informalmente que teriam agredido Dagmar com uma paulada na cabeça e, em seguida, jogado o corpo no poço desativado.

Segundo o delegado Alexandre Protopsaltis, responsável pelo caso, a localização do corpo foi decisiva para o avanço das investigações.

“Encontrar o corpo foi um elemento fundamental. Confirmou toda a tese investigativa. É uma prova robusta e traz materialidade a tudo aquilo que acreditávamos”, afirmou.

Ainda conforme a Polícia Civil, a perícia do Instituto Médico Legal (IML) não encontrou vestígios de terra ou detritos no corpo, o que indica que a vítima já estaria sem vida no momento em que foi lançada no poço.

Desaparecimento e prisão dos suspeitos

Dagmar era proprietária de um sítio em Bauru e foi vista pela última vez no dia 19 de dezembro. O desaparecimento passou a ser investigado oficialmente no dia 22, após o registro de um boletim de ocorrência. Os restos mortais foram localizados na tarde desta quarta-feira (21).

O poço passou a ser considerado um possível local onde o corpo estaria após o casal de caseiros Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, de 40, confessar informalmente o crime. Ambos trabalhavam e moravam na propriedade da vítima. A polícia apura motivação financeira, já que a relação envolvia repasses frequentes de bens e dinheiro. O casal foi preso no dia 24 de dezembro.

A Polícia Civil também investiga um possível envolvimento do filho do casal, de 14 anos. Em um primeiro depoimento informal, o caseiro chegou a atribuir o crime ao adolescente, mas posteriormente assumiu a autoria. O jovem está sob acompanhamento do Conselho Tutelar de Avaré (SP). Daniela negou participação e afirmou que estava dormindo no momento do ocorrido.

O caso é investigado como latrocínio e ocultação de cadáver.

Operação complexa e escavações profundas

Desde o início das buscas, em 30 de dezembro, cerca de 30 metros de profundidade foram escavados no poço, conhecido como poço caipira, que estava desativado. Para garantir a segurança das equipes, foi necessário ampliar a abertura do poço, o que resultou na demolição da casa onde Dagmar morava.

Segundo a investigação, sacos de adubo foram jogados sobre o corpo para tentar mascarar o cheiro da decomposição. A retirada do corpo durou quase três horas e envolveu riscos como deslizamento de terra, possível presença de gases tóxicos e grande quantidade de entulho.

Cerca de 30 pessoas participaram da operação, incluindo 12 bombeiros, além do apoio da Prefeitura de Bauru e da Polícia Civil.

 

“Expusemos o corpo, colocamos no saco de cadáver, fizemos a amarração e realizamos a retirada com segurança”, explicou o tenente Vinícius Alexandre Burin, do Corpo de Bombeiros.

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