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Raul Jungmann morre aos 73 anos; ex-ministro marcou governos FHC e Temer
Por Moisés Moura
Publicado em 19/01/2026 11:39
BRASIL

O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), instituição da qual ele era diretor-presidente desde 2022. Jungmann lutava contra um câncer no pâncreas.

Segundo familiares, ele foi internado pela primeira vez em novembro de 2025, recebeu alta em dezembro, mas voltou a ser hospitalizado no fim do mês, próximo ao Natal. Após nova alta depois do Ano Novo, Jungmann foi internado novamente neste sábado (17), não resistindo às complicações da doença.

Pernambucano, Raul Jungmann teve uma longa trajetória na vida pública brasileira, com mais de cinco décadas de atuação política e institucional. Ao longo da carreira, ocupou quatro ministérios e exerceu três mandatos como deputado federal.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. Já na gestão de Michel Temer, esteve à frente do Ministério da Defesa e, em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil. Nesse período, coordenou operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em estados afetados por crises na segurança pública.

Na juventude, Jungmann militou no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao longo da trajetória partidária, passou pelo MDB, PPS e PMDB, retornando ao PPS em 2003, onde permaneceu até 2018.

A projeção nacional como ministro contribuiu para sua eleição como deputado federal por Pernambuco em 2002, sendo reeleito em 2006. Em 2010, concorreu ao Senado, mas não foi eleito. Em 2012, tornou-se vereador do Recife e, em 2014, ficou na suplência para a Câmara dos Deputados. Na legislatura iniciada em 2015, exerceu mandato até 2016. Naquele período, posicionou-se na oposição ao governo Dilma Rousseff e defendeu o impeachment da presidente.

Como parlamentar, foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de corrupção envolvendo a compra de ambulâncias, e atuou como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas durante o referendo de 2005 sobre a comercialização de armas de fogo.

Jungmann também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ele chegou a ser investigado por suspeitas de irregularidades em contratos de publicidade durante sua gestão no Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas o inquérito foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal.

Desde 2022, ocupava a presidência do IBRAM, onde liderou uma agenda voltada à sustentabilidade, à governança e à modernização do setor mineral, com foco nos princípios ESG e na transição energética.

 

O ex-ministro deixa dois filhos e uma neta. O velório e a cremação serão realizados em Brasília, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.

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