A divulgação de um vídeo envolvendo o presidente da Câmara Municipal de Pratânia, Kendji Takeda Clemente Garcia, voltou a gerar forte repercussão nas redes sociais e entre entidades ligadas à causa animal. Nas imagens, o parlamentar — que também é médico veterinário — aparece ostentando o abate de dois javalis. Em outro trecho do mesmo material, é possível ver um dos animais ainda vivo, agonizando, enquanto a gravação é realizada.
O conteúdo tem gerado críticas e debates constantes, especialmente pela forma como a situação foi registrada e divulgada. Apesar de a caça ao javali ser permitida no Brasil, desde que siga critérios técnicos e legais, especialistas ressaltam que o procedimento deve ser realizado de maneira rápida e eficaz, justamente para evitar sofrimento desnecessário ao animal.
O que diz a legislação
O javali (Sus scrofa) é considerado uma espécie exótica invasora e seu controle é autorizado pelo Ibama por meio da Instrução Normativa nº 03/2013. No entanto, a norma estabelece que o manejo deve seguir regras rígidas, incluindo o compromisso com o bem-estar animal e a proibição de práticas que caracterizem crueldade.
Mesmo com a permissão legal, a legislação e os princípios éticos da medicina veterinária determinam que o abate deve ser feito de forma imediata, sem prolongar a dor do animal — ponto que tem sido amplamente questionado nas imagens divulgadas.
Repercussão e possíveis encaminhamentos
A gravação vem gerando revolta entre protetores de animais, ambientalistas e parte da população, que consideram a exposição do sofrimento do animal inadequada e incompatível com a conduta esperada de um profissional da área veterinária e agente público.
Segundo apurado, organizações de proteção animal avaliam apresentar denúncias aos órgãos competentes para que o caso seja analisado. Entre as instituições que podem ser acionadas estão:
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Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-SP)
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Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
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Polícia Militar Ambiental
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Ministério Público
Até o momento, não há confirmação oficial de abertura de procedimentos, mas o caso segue repercutindo e alimentando o debate sobre os limites éticos da atividade de controle de espécies invasoras e a responsabilidade de figuras públicas ao divulgar esse tipo de conteúdo.