Uma apuração exclusiva da redação da TV São Manuel Conectado aponta que uma denúncia formal, protocolada em 1º de novembro de 2025, expõe uma série de supostas negligências no atendimento prestado ao paciente Francisco de Oliveira, de 68 anos, no Hospital “Irmandade da Casa Pia São Vicente de Paulo”, em São Manuel. O documento — ao qual a reportagem teve acesso — é assinado pelo filho da vítima, Murilo Francisco Negrini de Oliveira, e foi encaminhado ao prefeito Odirlei José Felix, à Secretaria Municipal de Saúde, à direção do hospital, ao Ministério Público e ao Ministério da Saúde.

De acordo com a denúncia, o idoso, que tratava um tumor cerebral e realizava acompanhamento oncológico em Botucatu, procurou atendimento no dia 22 de maio após apresentar forte falta de ar, tosse intensa e quadro gripal compatível com Influenza — doença que se espalhava rapidamente pela cidade naquele período.

Segundo o relato, mesmo com sintomas característicos e em meio ao surto da doença, nenhum teste para Influenza foi solicitado durante o atendimento inicial. Após estabilização da pressão arterial, o paciente recebeu alta. No dia seguinte, com piora do quadro respiratório, retornou ao hospital por orientação de um cardiologista. A partir desse momento, segundo a denúncia, uma sequência de falhas teria agravado o estado clínico do paciente.
Demora no atendimento e falha na triagem
Murilo afirma que, ao chegar ao hospital com carta de internação, o pai não passou por triagem e permaneceu sentado enquanto apresentava pressão arterial de 19x11 mmHg e glicemia de 390 mg/dL. Ainda segundo o documento, a medicação prescrita pela médica plantonista demorou cerca de uma hora para ser administrada, sendo aplicada apenas após a troca de plantão.
O denunciante aponta que o paciente permaneceu em risco de parada cardíaca durante toda a espera, apesar da presença de profissionais de enfermagem no setor.
Transferência para a UTI e suposta omissão da equipe de enfermagem
Já internado na enfermaria particular, o quadro de Francisco se agravou. No dia 25 de maio, após nova avaliação médica, foi constatada a necessidade de transferência imediata para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Porém, segundo o relato, as enfermeiras de plantão informaram que a transferência não poderia ocorrer pelo SUS por se tratar de internação particular, oferecendo apenas duas alternativas: UTI particular paga pela família ou transferência via CROSS para Botucatu.
Sem condições de arcar com internação privada, a família contatou a Secretaria Municipal de Saúde, que informou que a transferência via SUS era possível, sim. Após intervenção da gestora, as profissionais reconheceram ter “esquecido” dessa possibilidade.
A transferência só foi realizada depois disso — quando o paciente já estava em estado crítico. Na UTI, exames confirmaram infecção por Influenza, indicando, segundo a denúncia, que o diagnóstico inicial havia sido equivocado.

Evolução para intubação e morte
Francisco evoluiu para estado grave, foi intubado em 27 de maio e não resistiu às complicações dias depois. Para a família, o desfecho poderia ter sido evitado.
Família pede providências
O denunciante questiona a conduta da equipe e cobra responsabilização:
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Por que o teste de Influenza não foi solicitado no primeiro atendimento?
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Como a equipe poderia “esquecer” que a UTI podia ser utilizada via SUS?
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Quanto tempo mais o paciente teria permanecido em risco se não houvesse intervenção externa?
Murilo afirma que o caso “não diz respeito apenas ao seu pai, mas à segurança de todos os pacientes atendidos pelo hospital”.
Até o momento, não houve posicionamento público da direção do hospital.