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Corpos De Suspeitos Mortos Em Operação Mais Letal Do RJ Começam A Ser Identificados No IML
Por Moisés Moura
Publicado em 31/10/2025 12:27
BRASIL

Mais da metade dos corpos dos 117 suspeitos mortos na megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na terça-feira (28), já passou por necropsia e começou a ser identificada no Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro da capital fluminense.

A operação, batizada de “Contenção”, é considerada a mais letal da história do estado, com 121 mortos confirmados, sendo 117 suspeitos e quatro policiais civis e militares.

Segundo informações oficiais, os corpos já periciados começaram a ser liberados para as famílias. Como parte das vítimas seria oriunda de outros estados, o IML solicitou acesso a bancos de dados de fora do Rio para cruzamento de informações e confirmação das identidades.

Desde as primeiras horas da manhã de quinta-feira (30), familiares comparecem ao IML em busca de informações sobre desaparecidos. Um posto do Detran-RJ, ao lado do instituto, foi disponibilizado para atendimento e acolhimento aos parentes das vítimas.

Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, da Defensoria Pública e de outros órgãos acompanham os trabalhos de perícia e identificação no local. Técnicos do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também realizam perícias independentes em meio a denúncias de possíveis execuções e irregularidades durante a ação policial.

O procurador-geral de Justiça do estado, Antônio José Campos Moreira, afirmou em coletiva de imprensa que o acesso e a checagem das imagens das câmeras corporais são fundamentais para esclarecer as circunstâncias das mortes. O pedido foi feito após o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, reconhecer que parte dos registros pode ter sido perdida devido à duração limitada das baterias dos equipamentos.

A operação envolveu 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, com o objetivo de desarticular o Comando Vermelho e cumprir cerca de 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão.

Durante os confrontos, principalmente na Serra da Misericórdia, dezenas de corpos foram encontrados por moradores e levados à Praça São Lucas, no Complexo da Penha, para facilitar o reconhecimento.

Moradores relataram cenas de horror. “Moro aqui há 58 anos. Nunca vi isso. Vai ser difícil esquecer. Essa cena pra mim foi trágica”, disse uma moradora. Outro comparou o cenário a uma catástrofe natural: “A cidade tá igual tragédia, como quando tem tsunami, terremoto, com corpo espalhado em cima do outro.”

Mesmo quem não perdeu familiares diretamente se solidariza com as vítimas. “Não é um dos meus que tá ali, mas eu sou mãe. Sei o que cada um tá passando, porque também já tive uma perda”, desabafou uma mulher.

A Polícia Civil informou que o acesso ao IML está restrito à corporação e ao Ministério Público, e que casos sem relação com a operação foram encaminhados ao IML de Niterói. A liberação total dos corpos ainda não tem previsão para ser concluída.

 

A Operação Contenção é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro e segue sob investigação por parte do MPRJ e de órgãos de controle de direitos humanos.

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